A Receita Federal alterou seu entendimento  sobre tributação de auxílio-alimentação. Na Solução de Consulta n°35, publicada na edição de sexta-feria do Diário Oficial da União, o órgão informa que o beneficio pago aos empregados por meio de tíquete ou cartão não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.

O novo entendimento da Coordenação- Geral de Tributação (Cosit), contrário ao da Solução de Consulta n° 288, de 26 de dezembro de 2018, vale desde a entrada em vigor da reforma trabalhista, em 11 de novembro de 2017.

A parcela in natura (cesta básica ou refeição fornecida pelo empregador) também não integra a base das contribuições previdenciárias, Já valores pagos em dinheiro entram no cálculo.

O texto tem como base a lei da reforma trabalhista (n° 13,467, de 2017). No artigo457, parágrafo 2°, afirma que o auxílio- alimentação que não é pago em dinheiro não constitui base de dinheiro de qualquer encargo trabalhista e previdenciário.

A tributação do beneficio gera questionamentos ao Fisco há muito tempo, segundo o advogado Sandro Machado, sócio do escritório Bichara Advogados. As primeiras discussões se relacionavam à inscrição da empresa no Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT).

Em 2004, o STJ pacificou o entendimento de que a mera formalidade de inscrição no PAT não atribui ao benefício a natureza de renumeração. “Desde então, a tentativa do Fisco de tributar o benefício passou a estar baseada na sua forma de concessão, sob o entendimento do STJ estaria restrito a alimentos i natura”, diz Machado.

A solução de Consulta n° 288, de dezembro de 2018, concluía que a concessão do benefício por intermédio de tíquete ou cartão lhe atribui natureza remuneratória. “ Ascendeu [ a solução de consulta] uma luz amarela que todos os contribuintes seriam cobrados dessa forma. Nenhuma empresa inclui esses valores de vale-alimentação na base das contribuições previdenciárias”. Afirma Machado.

O conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) tributa os valores se a empresa não estiver inscrita PAT, segundo  Caio Taniguchi, sócio do mesmo escritório. O advogado considera inadequada a limitação temporal da Solução de Consulta n°35 e também o veto ao alimento em dinheiro. “É a finalidade do benefício que define se é remuneração, e não a forma de pagamento”, diz Taniguchi.

O advogado destaca que as autuações  do Fisco têm levado a discussão para a esfera penal. “Em previdenciário, são exceções as autuações que não vêm com representação para fins penais” afirma. Segundo Taniguchi, quando as empresas não declaravam os valores de vale-alimentação para tributação, o Fisco considerava uma conduta dolosa, fraudulenta e fazia uma representação fiscal para fins penais, como se fosse crime de sonegação. “É pressão indireta para cobrança do tributo.”

Para o advogado Pedro Ackel, sócio do escritório WFaria Advogados, “a reforma trabalhista é clara no sentido de que só o vale-alimentação pago em dinheiro pode ter incidência da contribuição previdenciária da”. Por isso, considera que a Receita Federal acertou a modificar a Solução de consulta n° 288, de 2018. Alessandro Mendes Cardoso, sócio do escritório Rolim, Viotti &Leite Campos, destaca, porém que na fundamentação da nova solução de consulta fica expresso que, com relação ao período anterior à reforma trabalhista, deve  haver tributação, o que contraria o entendimento de especialistas da área. “Tíquete e cartão são de uso exclusivo para alimentos e equivalem ao fornecimento in natura”, afirma o advogado